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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

COM A FRONTE PENDIDA

COM A FRONTE PENDIDA e o pensamento no alto, eu ia andando, andando, e na senda do tempo se lançava minha vida em busca de um desejo. Junto ao caminho cinzento vi uma vereda em flor e uma rosa cheia de luz, cheia de vida, cheia de dor.
Mulher, flor que se abre no jardim: as rosas são como tua carne virgem, com sua inefável e sutil fragrância,

O voo dos pássaros

Os áridos pássaros que mudam as estações não vieram nunca, embora eu os esperasse. Acaso falam os homens do que viram? Silenciosos são os lábios dos homens. Grito ou palavra de amor não comovem as pedras empedernidas pelo tempo.
Eram secos pássaros. E o céu, que é plumagem, crepita. Nem nos que voam nem nos que permanecem. Não me demorei sobre nenhum pássaro. Voando, eram a velha canção da infância morta para mim, que sempre vi o que não existe e eternamente verei o que jamais existirá.
Em voo, como os anos, a vida, o tempo...
Nada imaginei que pudesse ser admitido pelos que não entendem uma teoria de pássaros.

ODE VINGATIVA

Percebi que estar com aqueles de quem gostamos basta, Parar em companhia dos demais à tarde basta, Estar cercado de corpos belos, curiosos, frescos e sorridentes basta, Passar entre eles ou tocá-los ou descansar meu braço sempre tão leve ao redor do pescoço de um dos homens ou uma das mulheres por um instante – o que será isso? Não peço mais prazer, mergulho nessas coisas como fossem o mar.
Existe alguma coisa em estar perto de homens e mulheres e olhar para eles,  no contato e no odor deles, que deixa a alma muito contente,