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Mostrando postagens de Junho, 2015

poema 270

A memória da palavra posta à prova pelo tempo Ocas são as palavras prediletas Vazios sãos os mares dos dias A vertigem de uma tarde de sol - eterna A vertigem de folhas verdes - eterna O repouso das palavras justas
e simples
<< Fazer coincidir, com o mundo nu e gritante do pássaro que caiu do ninho, o mundo mágico das aventuras da linguagem, tal era expressamente minha visão final à época distanciada já em que, sobre a mesma ficha, eu anotava, primeiro, minha crença na necessidade de fazer coincidir com alguma coisa de uma gravidade vital o jogo frívolo que se opera entre as palavras; depois, exprimia minha vontade de tirar dessa atitude a respeito das palavras um meio de vida mais intenso e uma regra de vida, reflexão com a qual explicitamente um realismo se afirma, mas que não menos explicitamente subordina a moral à poesia já que é em uma certa atitude a respeito das palavras que intendo encontrar a indicação de uma linha de conduta ao mesmo tempo que a fonte de um enriquecimento da vida...>>

Eugenesia

Acontece que os cronópios não querem ter filhos, porque a primeira coisa que um cronópio recém-nascido faz é insultar estupidamente seu pai, em quem percebe sombriamente a acumulação de desventuras que um dia serão suas. Em vista de tais razões, os cronópios acodem aos famas para que estes lhes fecundem as mulheres, coisa que os famas estão sempre dispostos a fazer por se tratar de seres libidinosos. Além do mais eles acham que desta forma irão minando a superioridade moral dos cronópios, mas se enganam redondamente, pois os cronópios educam os filhos à sua maneira, e em poucas semanas lhes tiram qualquer semelhança com os famas.

poema 269